Em sessão ordinária na Câmara Municipal de Vitória, Karla Coser, vereadora pelo PT, cobrou posicionamento após episódio em que Gilvan da Federal (Patriotas) agrediu verbalmente a colega Camila Valadão (PSOL), a mandando calar a boca
Karla Coser (PT), vereadora de Vitória, capital do Espírito Santo, se pronunciou em sessão ordinária na Câmara Municipal cobrando posicionamento dos parlamentares sobre as violências verbais sofridas por Camila Valadão (PSOL) em sessão de dezembro. Na ocasião, em sessão do plenário que discutia melhoras na educação, o vereador Gilvan da Federal (Patriotas) mandou a colega calar a boca.
Com placa que traz a frase “Silenciadas nunca mais”, elaborada pelo PT para o Dia Internacional das Mulheres, Karla comunicou que gostaria de “chamar todos à responsabilidade” pelo episódio de 1 de dezembro do ano passado, afirmando ser inaceitável que os colegas vereadores não tenham tomado uma atitude sobre o caso.
“Acho inaceitável que vocês tenham escutado um vereador mandar outra vereadora calar a boca e não tenham feito nada. O vereador-presidente se manifestou pelo respeito na hora, mas eu gostaria de dizer que ontem, enquanto recebia as flores das suas mãos na nossa sessão solene pelo Dia Internacional da Mulher, eu agradeço, gosto muito de flores. Mas não queria só as flores. Gostaria muito que quando episódios como esse acontecessem vocês se levantassem e ficassem tão insubordinados e tão assustados como eu fico. Porque não é possível que vocês acham isso normal”, declarou.
Em conversa com Marie Claire, Karla conta que acredita que sua fala na Câmara tenha sido ouvida pelos colegas e os atingido em algum ponto. “Senti que doeu muito nos vereadores terem me ouvido, porque o silêncio foi absoluto durante a fala e depois passaram mais tempo se explicando do porquê não era culpa deles do que de fato repreendendo o vereador por ter mandado uma parlamentar calar a boca. A responsabilidade de repreender a violência contra as mulheres não é só das mulheres, é dos homens também”, declara.
Ela ressalta que não é o primeiro episódio de desrespeito a ela e a Camila dentro da Câmara de Vereadores de Vitória e que não houve interrupção por parte de Camila para que Gilvan se dirigisse a ela desta maneira. Além de mandar a parlamentar calar a boca, ele também a chamou de “satanista” e “assassina de bebês” na ocasião.
Conteúdo original e matéria: https://revistamarieclaire.globo.com/Feminismo/Politica/noticia/2022/03/vereadora-cobra-posicionamento-da-camara-de-vitoria-sobre-violencia-de-genero.html


